Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Alto Douro Vinhateiro

História do Alto Douro

 

 


O Douro é, aqui, frente ao Pinhão, na confluência do rio com o mesmo nome da localidade, uma entidade já madura. O rio traz um longo percurso percorrido desde os picos da serra do Urbião em Espanha, algumas centenas de quilómetros para montante. Em Miranda, entre fragas intransponíveis, o Douro encontra território português para, finalmente, nos ares vivificantes do Atlântico, se despedir do seu trajecto continental. Ai, na Foz, não é o rio das grandes fragas, mas sim a alma ribeirinha da arquitectura dramática do Porto.
Bem contados, o gigante fluvial do Norte, tem perto de 850 quilómetros, repartidos entre dois países. Em Portugal, percorre parte dos distritos de Bragança, Guarda, Viseu e Porto. O Douro é rio, mas também é região.
Na plataforma aberta na traseira da carruagem, abstraímo-nos momentaneamente do frenesim, fruímos o sol generoso que espicaça o odor floral dos canteiros da estação. Outubro vai avançado e o Outono começa a intrometer-se discretamente nestes vales profundos durienses. O afã da vindima que animou Agosto e Setembro já terminou; a vinha abandona os verdes intensos do estio e ganha uns maduros tons de cobre.
Sobre a paisagem em frente, compomos um exercício cénico. Juntamos o céu, de um azul fixo e intenso, às arribas em sobreposições dramáticas e ao rio, simultaneamente elemento da paisagem e seu apropriador. O Douro captura na placidez das águas toda a envolvente.
Esta é, porém, uma serenidade apenas aparente. Há em toda a paisagem que acompanha o rio um murmúrio de esforço, de luta face ao rio rebelde e às arribas agrestes. Esta paisagem é drama em sentido cénico, esculpido por mão humana, em anfiteatros imensos que galgam montanhas, percorrendo-lhes a fisionomia em socalcos de xisto, multiplicados a uma escala que diríamos além humana. Sobre os terraços a quem chamaram o “tormento do Douro”, repousa a razão primeira para esta geografia talhada à mão, os incontáveis pés de vinha, dispostos em carreiros regulares, amadurecendo a uva que resultará nos Vinhos do Douro e no seu expoente máximo, o Vinho do Porto, verdadeiro elemento unificador da região.


 

 

 

publicado por douro1 às 10:21
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